25 anos do 11 de Setembro: o papel dos capelães no acolhimento de vítimas e socorristas
Um quarto de século após os ataques nos Estados Unidos, homenagens e novos relatos recuperam histórias de capelães que estiveram ao lado de bombeiros, policiais, familiares e equipes de emergência.

Vinte e cinco anos após os ataques de 11 de setembro de 2001, histórias de fé, serviço e cuidado vividas em meio à tragédia do World Trade Center voltaram a receber atenção nos Estados Unidos e em outros países. Entre elas está a atuação de capelães que acompanharam bombeiros, policiais, familiares e profissionais mobilizados diante de uma das maiores tragédias da história recente.
Uma das figuras mais lembradas é Mychal Judge, sacerdote franciscano e capelão do Corpo de Bombeiros de Nova York (FDNY). Na manhã dos ataques, Judge seguiu para o World Trade Center juntamente com os bombeiros e permaneceu oferecendo orações e assistência espiritual enquanto as equipes de emergência trabalhavam. Ele morreu após ser atingido por destroços durante os acontecimentos daquele dia.
No marco dos 25 anos, o próprio Corpo de Bombeiros de Nova York lançou o filme Remembering Judge, dedicado à trajetória e ao legado do capelão. A produção foi apresentada juntamente com Resilience, documentário que aborda os impactos do 11 de Setembro sobre os bombeiros e integrantes das equipes de resgate ao longo das décadas seguintes.
Presença espiritual em meio à emergência
A atuação da capelania naquele dia não se limitou ao Corpo de Bombeiros.
A reverenda Suzan Johnson Cook, ministra batista e então capelã do Departamento de Polícia de Nova York (NYPD), também participou da assistência após os ataques. Primeira mulher negra a exercer a função de capelã no departamento, ela recordou, 25 anos depois, que chegou ao Ground Zero e encontrou profissionais que, diante da dimensão da tragédia, buscavam oração e apoio espiritual.
O trabalho continuou depois daquele dia. O impacto emocional dos ataques atingiu familiares, sobreviventes, policiais, bombeiros e profissionais que participaram das operações de busca e recuperação, criando uma necessidade de acompanhamento que permaneceu nos meses seguintes.
Outros relatos recuperados neste aniversário reforçam essa dimensão. Capelães que estiveram em Nova York após os ataques recordaram o trabalho de apoio no luto, assistência às famílias e acompanhamento dos profissionais envolvidos nas operações de resgate e recuperação. Um deles, Mickey Stonier, atualmente capelão de um Corpo de Bombeiros na Califórnia, relembrou o trabalho realizado no Ground Zero e destacou que continua atuando no apoio emocional e espiritual a primeiros socorristas.
As experiências desses capelães ajudam a demonstrar uma característica própria da capelania em situações de emergência: estar presente junto às pessoas em circunstâncias nas quais respostas técnicas são indispensáveis, mas nem sempre suficientes para atender às dimensões emocionais e espirituais do sofrimento.
Um legado que permanece 25 anos depois
O aniversário também trouxe novos capítulos dessa história. Em 11 de setembro de 2026, Tom Colucci, ex-bombeiro que trabalhou entre os escombros do World Trade Center e posteriormente ingressou no sacerdócio, foi nomeado capelão honorário do FDNY.
Colucci havia servido por 20 anos no Corpo de Bombeiros de Nova York antes de seguir a vida religiosa. A homenagem deste ano relacionou sua trajetória à memória de Mychal Judge e à tradição de assistência espiritual existente dentro da corporação.
As homenagens a Judge ultrapassaram as fronteiras dos Estados Unidos. Em 12 de setembro, a comunidade de Keshcarrigan, na Irlanda, onde nasceu seu pai, realizou uma cerimônia especial em memória do capelão. A localidade mantém um memorial dedicado a Judge e recordou, no 25º aniversário de sua morte, o legado de serviço deixado por ele.
A continuidade dessas homenagens, um quarto de século depois, reforça como sua trajetória permanece associada ao cuidado espiritual oferecido a profissionais que enfrentam situações de risco, morte, trauma e luto.
Capelania em situações de catástrofe
Grandes emergências exigem uma rede formada por diferentes áreas de atuação. Bombeiros, profissionais de saúde, segurança pública, assistência social e especialistas em saúde mental desempenham funções próprias e indispensáveis.
Nesse contexto, a capelania pode atuar de maneira complementar, oferecendo presença, escuta, oração, assistência espiritual e acompanhamento no luto, sempre respeitando a vontade de quem recebe o atendimento e os limites de atuação de cada profissão.
As histórias recuperadas nos 25 anos do 11 de Setembro mostram que o trabalho do capelão não acontece apenas em templos ou cerimônias. Em momentos de profundo sofrimento coletivo, sua missão pode significar simplesmente permanecer ao lado de quem enfrenta aquilo que parece impossível enfrentar sozinho.
Para instituições dedicadas à formação e ao trabalho de capelania, recordar experiências como essas também contribui para compreender a dimensão da responsabilidade assumida por quem se dispõe a servir em situações de crise e emergência.















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